sábado, 13 de junho de 2009

Uma viagem pelo Rio Araguaia.



































































































































































































































































































































A nossa viagem em passeio eco-turístico nasceu da obsessão de alguns amantes das belezas naturais do Rio Araguaia em preservar a riqueza que o rio oferece e ao mesmo tempo se aventurar por cada recanto de encanto desconhecido de muitos admiradores do rio. No início do ano de 2009 três desses obcecados, Baianinho, Dirceu e Heloizio (Loló), na cidade de Paraíso do Tocantins – TO, tiveram a idéia de promover um canoaço, que partisse de Caseara – TO e terminasse em Santa Terezinha – MT. Em poucos dias se juntaram a eles outros tantos interessados, Sansão, Caliari, Zé Lisboa, Valtim (Prefeito de Caseara –TO), Alexandre, Marquinhos Jóia e Mutuka. Destes alguns, por compromissos agendados de última hora e outros por não acreditarem na proposta, não “puderam” participar. Porém, sempre resolutos e cada vez mais atraídos pela idéia os três primeiro tiveram o apoio irrestrito do companheiro Sanção, com sua embarcação e por último do agropecuarista Mutuka e do empresário Marquinhos Jóia, que juntos com o filho do Dirceu, Charles, completaram o grupo de sete pessoas obstinadas pelo empreendimento.
Na tarde do dia oito de junho o grupo de Paraíso se dirigiu para a cidade de Caseara – TO, para encontrar com o integrante Baianinho, onde fomos recepcionados pelo grande amigo Pedro “Oropa”, proprietário de um restaurante às margens do Araguaia, que nos ofereceu uma farta mesa com muitos Piaus fritos, regados a cerveja gelada. Dormimos naquele dia na cidade de Caseara – TO e no dia seguinte, bem cedo, já estávamos prontos para a viagem, embarcados em duas canoas com propulsão de motor. Navegamos então até a cidade de Barreira dos Campos – PA, onde fomos recepcionados pela empresária do ramo supermercadista, D. Nerídes. Depois embarcamos com destino a Santa Fé – PA e no meio do caminho tivemos que acampar as margens do rio, para providenciar o almoço do dia: arroz, feijão preto com pele de porco e carne seca acompanhados de um suculento churrasco. Já saciados da fome embarcamos rumo à Fazenda Santa Fé. Porém logo o dia se foi, a noite chegou e tivemos que acampar numa belíssima praia no meio do rio, onde passamos mais uma noite se deliciando com as belezas do nosso Berohokã. No dia seguinte alcançamos o nosso objetivo, a Fazenda Santa Fé, que estava bem a nossa frente, porém (no dia anterior) com a pouca luminosidade do entardecer, não podemos visualizar as casas na ribanceira do rio. Paramos por alguns minutos naquele recanto e seguimos com destino à sede do Parque Estadual do Cantão, um lugar muito bonito, no final da Ilha do Bananal. Apreciamos aquela beleza e seguimos com destino a Lago Grande – MT e depois de mais de três horas de viagem, sob um sol escaldante, chegamos. Fomos recepcionados pela Índia Carajás Iza (ou Wéelaki em Carajás), que nos ofereceu um pequeno galpão, de propriedade do seu pai, que se encontrava de viagem a Santa Terezinha. Em Lago Grande fizemos alguns amigos, como a pequena índia Carajás de mais ou menos 11 anos Cinthia (ou Wedéeri na língua Carajás), Corim, (que depois se tornou nosso timoneiro com destino a Santa Terezinha – MT), onde pernoitamos para no dia seguinte empreendermos viagem até o povoado de Antonio Rosa – MT, onde fomos recepcionados por D. Raimunda, uma velha conhecida do Dirceu, no tempo em que ele trabalhava na Fazenda Santa Fé. Antes, porém de chegarmos ao povoado, estivemos visitando o barco Hotel “Tranquilão”, de propriedade de agropecuaristas da região. Seguindo para Santa Terezinha já estávamos ansiosos e já um pouco cansados pelas horas sentados no banquinhos das canoas e pelo exposição permanente ao sol escaldante. Chegamos a Santa Terezinha – MT por volta das 18hs30min, e fomos recepcionados pela cunhada do nosso amigo Baianinho, Neta, que reside naquela cidade. Em Santa Terezinha podemos perceber a degradação por que passa a gente Carajás. Na convivência com o branco (tori) eles se descaracterizaram de sua verdadeira cultura e é fácil encontrar alguns perambulando pela cidade, totalmente alcoolizados, como a velha Madalena, uma anciã de mais de setenta anos que vive mendigando e falando impropérios por toda a cidade. É triste de se ver a degradação do povo valioso e resistente, em outras épocas, da etnia Carajás. Pernoitamos em Santa Terezinha – MT, para no dia seguinte empreendermos a nossa viagem de volta para Caseara-TO, na qual gastamos nove horas e meia de navegação, com direito a parada em Lago Grande – MT para um rápido almoço.

Vale salientar que em todas as nossas paradas o lixo era recolhido totalmente, para não causarmos mais impacto ao já ameaçado meio ambiente do nosso querido Rio Araguaia.

Araguaia de infinita beleza.







É inevitável iniciar essa narrativa sem reverenciar a beleza infinita do Rio Araguaia.
Mesmo com o esforço desumano do homem em tentar destruir essa beleza, com ações de interesses meramente financeiros, ele continua respirando e transpirando um visual que alegra aos olhos, a cada metro quadrado por toda sua extensão dos seus mais de 2.500 km. A nossa viagem, que começou no dia oito de junho, partindo da cidade de Caseara - To, passando por Barreira dos Campos - PA, Parque do Cantão – TO, Santa Fé – PA, Lago Grande – MT, Antonio Rosa – MT e culminando em Santa Terezinha – MT, no dia doze de junho, podemos perceber a devastação em suas margens, com as árvores fazendo verdadeiros contorcionismos para continuar agarradas ao solo. A agropecuária, predominante naquela região, provoca a aceleração do assoreamento e suas margens estão cada vez mais distantes uma da outra, enquanto o seu leito espalha bancos de areia por todas as partes. Mas nem por isso a ação depredadora do homem consegue arranhar o belo que existe no Araguaia.
As praias, que já afloram por toda a sua extensão, continuam exuberantes e aconchegantes com suas areias brancas e finas; O pôr-do-sol é extremamente magnífico e a sua fauna e flora encantam por todos os lados. Piscoso, ele oferece, aos ribeirinhos, sempre humildes e hospitaleiros, a oportunidade de manter a sua sobrevivência.
Porém é necessário realizar muitas ações em defesa deste eco-sistema, para podermos ter a certeza de deixar uma bela herança para nossos filhos, netos, bisnetos, etc.

Kananxiué proteja o Berohokã...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Canoaço: Uma onda que pegou na defesa do Araguaia.





















Todos os anos vários amigos de Paraíso do Tocantins - TO, se juntam a vários outros da cidade de Gurupí - TO e promovem um grande canoaço, saindo do Rio Pium, passando pelo Rio Javaés até chegar no Rio Araguaia, nas proximidades da cidade de Caseara-TO. Esse movimento tem como prioridade a conscientização ambiental e o prazer do contato com a exuberante beleza do Grande Rio. Entre esses amigos, destacamos aqui o bioquímico, Antonio Miguel Caliari, que nos cedeu as imagens para este post em nosso blog, que sempre na companhia do seu amigo Alexandre o do seu filho Tobias Caliari são frequentadores assíduos desses canoaços. Caliari e Alexandre também estarão participando do nosso canoaço que acontecerá entre 08 e 12 de junho/2009.

Nossa Homenagem ao Comandante de terra, ar e agua Zeca Abreu.




Ninguem explorou, de forma tão responsável e com tanto amor o Grande Rio Araguaia, quanto o saudoso Comandante de terra, ar e água, Zeca Abreu. O Araguaia era a extensão da sua vida, numa simbiose de adoração, respeito, amor e carinho com o "Berohokã". Exímio Aeronauta explorador e pioneiro na aviação civil na região do vale Araguaia/Tocantins, Zeca Abreu desde a década de sessenta mantinha um relacionamento estreito e prazeroso com o Rio, principalmente durante o período em que as praias brotam da imensidão de agua, para onde, por muitas vezes, carregava a sua familia pra passar meses em suas brancas areias, saboreando as suas cores e os seus sabores. Apreciava todas as formas de beleza que o Araguaia lhe proporcionasse e delas era um ferrenho defensor. Por vezes promoveu várias viagens com amigos, por agua em canoas, que duravam dias, conscientizando os ribeirinhos da importancia de preservar o grande rio, os chamados canoaços. Infelizmente em Dezembro de 2007, Deus lhe traçou um novo plano de vôo e chamou-o para fazer parte da força aérea onde só os bons de coração tem inscrição garantida e podem, lá de cima, derramar os seus bons ensinamentos de exemplar filho, pai, marido, avô e amigo. Com sua aeronave estacionada na imensidão celeste, com certeza Zeca Abreu está velando por todos os que lhe foram gratos, mas principalmente pelo velho amigo "Berohokã". Que Kananxiué lhe abençoe sempre Tori Awire.